Governo do Distrito Federal
9/03/22 às 14h48 - Atualizado em 1/06/22 às 11h17

“Artesanato é a alma do turismo”

 

Em três anos no comando do artesanato de Brasília, Secretária de Turismo viu
o segmento crescer 78% e ultrapassa as fronteiras do Distrito Federal.


Hoje, a capital é referência em relação à produção com matéria-prima do Cerrado


Toda vez que você olhar para uma peça de artesanato que levar de uma viagem, vai se lembrar da experiência que viveu naquele lugar 

OLHO


As mulheres representam 85% do total do mercado de artesãos em Brasília. São 10.700 artesãs. Elas são multiplicadoras, tanto da atividade quanto da formação técnica de novas gerações. 

A Senhora diz sempre que o “artesanato é a alma do turismo”. Pode explicar esse conceito?

O artesanato representa o turismo materializado. São as peças, os trabalhos, o produto artístico dos artesãos que viajam de volta com o visitante. E é mais simbólico que a fotografia, porque a fotografia você não olha toda hora. Um artesanato pode decorar a sua casa, a casa dos seus pais, dos seus irmãos, amigos e outros parentes e até mesmo seu local de trabalho. E toda vez que você olhar pra ele vai se lembrar da experiência que viveu no lugar onde comprou. Por isso eu digo que o artesanato é a alma do turismo, porque é o artesanato que você leva de volta para sua cidade e oferta para parentes e amigos ou decora seus ambientes, em casa ou no trabalho.

 

Por meio do artesanato é possível alavancar o turismo de uma cidade?


Sim e muito. Brasília, inclusive, já é referência em relação à produção com matéria-prima do Cerrado. E são vários os artesãos que trabalham com cascas de frutas e de árvores, com cipós, flores, bordados que lembram esse meio ambiente. É aproveitado o que está no chão, que caiu da natureza, preservando o meio ambiente. A cultura europeia é de valorizar a arte primitivista e o artesanato é um bom segmento dessa arte. Então, vários diplomatas europeus que atuam em Brasília colecionam e compram periodicamente peças dos artesãos do Distrito Federal e levam para seus países quando encerra a missão aqui. Em Pernambuco, que é o estado com o maior número de mestres-artesãos, com 48 – nós somos o segundo, com 18 – em várias cidades o artesanato é o carro-chefe do turismo. As feiras atraem milhares de visitantes. 

E quais são as principais técnicas de artesanato utilizadas em Brasília?


As possibilidades são infinitas. Mas em Brasília se usa muito o crochê, o macramê, o bordado, as flores do Cerrado, pelo processo de esqueletização, a reciclagem, além do barro e da marcenaria. Mas também temos em Brasília artesanato indígena. Nesse caso as técnicas são outras. As mais comuns são cerâmica, pintura corporal, máscaras, cestaria e arte plumária. Eles também trabalham com utilitários, adornos, acessórios, armas e instrumentos musicais.

E qual é a participação econômica do artesanato no DF?


O artesanato, tomando por base a receita mensal de apenas um salário mínimo, movimenta cerca de R$184 milhões anualmente na economia criativa do DF. Ou seja, ao promover o artesanato, estamos promovendo emprego e renda, porque cada carteira nacional entregue a um artesão significa um novo posto de trabalho em Brasília e uma nova oportunidade de renda para a família. O artesanato ajuda a manter cem mil pessoas no Distrito Federal. E faz girar a roda da economia criativa. Para se ter uma ideia, nós investimos em três anos de Secretaria, mais de R$2,7 milhões na promoção do artesanato. E somente nas participações em feiras, pontos de venda oficiais e lojas organizados e gerenciados pela Setur, foram comercializados R$2,6 milhões. E aí não estão computados os valores que os artesãos arrecadam com outros tipos de participação e venda.

Qual é a importância da mulher no artesanato?


Em Brasília, as mulheres representam 85% do total de artesãos. Isso dá um contingente feminino no artesanato da ordem de 10.700 artesãs. As mulheres também são multiplicadoras, tanto da atividade quanto da formação técnica de novas gerações. Elas cuidam dos programas sociais do artesanato, levam oficinas e ensinam a empreender, desde o campo, do ambiente rural até o centro urbano. Durante a pandemia, com muitos maridos desempregados, foram essas mulheres artesãs que socorreram financeiramente as famílias. E nós fizemos qualificação à distância, implementamos um programa de comercialização e ensinamos como elas poderiam fazer para manter a renda com a venda de artesanato pela internet. Elas são guerreiras. É um grande orgulho para mim ver o artesanato de Brasília rompendo fronteiras e crescendo para o Brasil e o mundo. Desde meu primeiro dia de trabalho na Secretaria de Turismo até hoje, não houve um dia sequer que a palavra artesanato tenha deixado de ser dita.

  

Como o artesanato chegou à Setur?


O governador Ibaneis Rocha me pediu que assumisse a gestão do artesanato no Distrito Federal, projetando-o  num novo olhar. Em julho do ano passado ele sancionou a lei nº 6.924, que estabelece as diretrizes para a política distrital de fomento ao artesanato. Essa era uma tarefa da Secretaria de Trabalho e com essa lei passou a ser responsabilidade da Setur. Quando entramos na Secretaria, no primeiro dia, vimos que não havia estrutura para o artesanato e começamos a trabalhar do zero. Hoje temos até um caminhão que pega os trabalhos dos artesãos em suas casas e entrega no local da exposição. Tudo sem custo para eles. No ano passado, fizemos duas viagens nacionais com artesãos para participar de feiras importantes, a Fenearte, em Olinda (PE) e a Feira Nacional de Artesanato, em Belo Horizonte (MG). Graças a todo esse empenho e apoio do governador, já participamos de 100 feiras locais, regionais e nacionais, abrimos três lojas de artesanato em shoppings, uma no Pátio Brasil e outra no Alameda e a última no Shopping Boulevard (em processo). Estruturamos o espaço na Casa de Chá da Praça dos Três Poderes, melhoramos a estrutura da feirinha da Catedral e temos uma grande participação na Casa do Turismo de Brazlândia. Na Feira da Torre, ocupamos 571 boxes, com artesãos e manualistas.

O que é manualista?


Manualista é quem usa maquinário ou recursos industrializados, como por exemplo, caixa de MDF pronta para fazer seu trabalho manual. É diferente do artesanato, que transforma totalmente um produto à mão, sem usar nenhum equipamento. Exemplos de trabalhos manualistas estão nas bandeiras de clube de futebol, que vemos sendo vendidas nas ruas; decupagem de caixas para guardar presentes e outras lembrancinhas; sabonetes decorados; impressão em camisetas, etc. Até pouco tempo, esses profissionais não eram reconhecidos. Mas em agosto do ano passado isso mudou. O governador Ibaneis Rocha sancionou o Decreto nº 42.341, que instituiu o Programa de Produção Associada ao Manualista, para a Política Distrital de Fomento ao Artesanato. Com essa determinação legal, incluímos, de imediato, cerca de 20 mil pessoas no mercado de trabalho, com reconhecimento profissional. Eles estavam invisíveis para a economia e a sociedade civil. Mas o Estado chegou ali, a um segmento que pode agregar  mais de 50 mil profissionais no Distrito Federal.